A pré candidatura do ex-deputado federal André Vargas (PT) foi o tema da roda política entre várias lideranças políticas num almoço de Natal no último dia 25 em uma chácara da região. Assessores de vereadores, assessores de deputados, ex-candidatos a vereadores e a deputados se reuniram para uma confraternização que ocorreu sem alarde, e de forma discreta entre Londrina e Ibiporã.
Por questão de ética, e em respeito aos colegas jornalistas que serviram de fonte para esta matéria, não vou citar nomes, até para preservar alguns assessores que estarão envolvidos no pleito eleitoral de 2026.
A mobilização para a campanha eleitoral já começou e, é notório que as costuras com partidos e apoio já estão acontecendo nos bastidores.
Em relação aos possíveis pré-candidatos a deputados estaduais e federais, a movimentação começa pelo assédio de prefeitos sobre os vereadores de “cabresto”, assim chamados os “companheiros de bancada”, onde chega o momento da “cobrança” pelos favores concedidos, ou pelas costuras de apoio na última eleição.
Este, por exemplo, é o cenário em Ibiporã, onde André Vargas fixou residência. Porém, segundo uma fonte não se confirma uma suposta dobradinha com o filho do prefeito José Maria Ferreira (PSD) para deputado estadual. O que se vê, é a articulação política do pai, colocando o filho vereador e presidente da Câmara, Rafael Eik Ferreira (PSD) na vitrine com presença em cada evento fora do município.
Mas o tema central da conversa foi a volta de André Vargas ao cenário político após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) anular sua última condenação pendente da Operação Lava Jato, o que permitiu que ele recuperasse seus direitos políticos. Atualmente exercendo a função de secretário-geral do PT no Paraná, Vargas tem se articulado internamente e participado de encontros de militância visando retornar à Câmara dos Deputados no próximo ciclo eleitoral nacional. Vargas tem na assessoria, um experiente aliado, ex-candidato a vereador em Ibiporã, que já esteve junto com Alex e Luiza Canziani no cenário político nas últimas eleições.
“O apoio a Vargas, começa a provocar uma escassez de lideranças de outros pré-candidados, ou candidatos a reeleição”, avalia o assessor de um vereador em Londrina com a experiência de 30 anos de Câmara Municipal. Lembrou que Vargas arrebatou um importante aliado, com o ex-assessor dos Canzianis, supostamente traído então na última eleição pelo prefeito de Ibiporã, José Maria Ferreira, que teria assumido um compromisso e não cumprido.
“É típico do Zé não assumir o que cumpre na política. Seja pessoal seja com grupo. Ele se acha um deus e só pensa em acordos que lhe trazem dividendos, comentou um ex-assessor de deputado”. Outro assessor aproveitou a deixa, e lembrou que “o prefeito de Ibiporã quer emplacar o filho, como deputado estadual mas não vê futuro, mesmo com o apoio do pai”, disse. Sobre o assunto, lembrou que em conversa com o assessor de Vargas teria ouvido. “É um bom moço mas é politicamente muito fraco e o pai não transfere votos! E isso já ficou provado em duas eleições. Não é como uma eleição de vereador onde o curral funciona”, teria dito lembrando que rompeu com o prefeito de Ibiporã porque não cumpriu o que tratou. “Não é porque ele deu um carguinho para minha mulher que vai me comprar como cabo eleitoral para o filho. O combinado não foi isso”, teria desabafado!
“Vargas que foi o primeiro político condenado na Lava Jato e teve seu mandato cassado em 2014 deve passar como um trator por sobre os demais candidatos a deputado federal no Paraná e deverá ser o mais votado no estado”, avalia outro veterano de política em Londrina, que por sinal, não é petista nem simpatizante da esquerda. “Com as decisões recentes do STF, ele está juridicamente apto a disputar futuras eleições e vai roubar a cena. É um político articulador, arrojado e respeitado dentro do partido. Pode se considerar eleito!”, arriscou.
Filho de peixe, nem sempre é peixinho
Como diria Duanne Bonfim, tudo depende da lagoa. Essa expressão é uma variação irônica do ditado popular “filho de peixe, peixinho é”, que sugere que os filhos inevitavelmente herdam as características, talentos ou defeitos dos pais. Quer dizer que nem sempre o filho tem vocação para seguir o caminho do pai, seja em termos de carreira, personalidade ou valores.
Neste particular, a política é vitrine que revela que um filho não demonstra a mesma habilidade por mais que se esforce. E isto se reflete no resultado das urnas até porque a genética e a criação não determinam totalmente quem uma pessoa será. Cada indivíduo possui sua própria identidade, independentemente de sua linhagem. Vocação não se impõe e nem se compra!
Entrar na política sem vocação tem duas vertentes: Compromete tanto a trajetória pessoal do indivíduo quanto o bem-estar da sociedade. Quando o cargo público é encarado apenas “para agradar o genitor” ou como um meio de ascensão social ou financeira, em vez de um serviço coletivo, surgem riscos éticos, institucionais e sociais graves. Sem o compromisso moral intrínseco à vocação, a política pode se tornar um “negócio”. Que para alguns, além de meio de vida ao longo de décadas, é porta aberta para a corrupção e enriquecimento ilícito.
Outro risco é que indivíduos sem vocação podem aceitar estruturas corrompidas sob o pretexto de defender projetos, o que fortalece o ceticismo popular e enfraquece a democracia. Logo, cair de paraquedas no mato sem cachorro, é apenas um privilégio de poucos que pode gerar danos institucionais de longo prazo. O ditado popular " o pior cego é aquele que não quer ver" trem como base o texto do profeta Jeremias, capítulo 5 verso 21. "Tem olhos mas não vê", referindo-se a pessoas que embora tenham a evidência ou a verdade diante de si optam por ignorá-la por meio da teimosia, conveniência ou negação.

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