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Quarta-feira, 03 de Junho de 2026
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O Fantástico Mundo de Ibiporã: Onde a Crítica é Proibida e os Autopropelidos Não Saem do Lugar

O parlamentar explicou que pediu a retirada da matéria por 90 dias para ampliar o diálogo com o Executivo, ouvir novas sugestões técnicas e aperfeiçoar o texto

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
O Fantástico Mundo de Ibiporã: Onde a Crítica é Proibida e os Autopropelidos Não Saem do Lugar
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   A Câmara de Vereadores de Ibiporã parece ter descoberto um novo crime contra a dignidade parlamentar: o terrível delito de comentar o que acontece publicamente na TV Câmara. No pitoresco período das "explicações pessoais", a tribuna virou um confessionário de lamentações contra as redes sociais. Os parlamentares descobriram, com profundo espanto, que as sessões são públicas e que a população assiste, pensa e — pior ainda — faz piada.
 
    O vereador Ilseu Zapelini abriu o coração para reclamar do "desrespeito" com a Comissão de Justiça no polêmico projeto dos veículos autopropelidos, de autoria do Professor Mohamed. Segundo Zapelini, há muita "responsabilidade técnica" envolvida. O que ele esquece é que o projeto virou chacota generalizada na sociedade civil por tentar empurrar goela abaixo uma regulamentação para a qual a cidade simplesmente não tem estrutura. Em vez de debater a utilidade real da proposta, infelizmente o parlamentar preferiu criminalizar o riso do contribuinte.
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   Na sequência do coro dos descontentes, o Professor Abreu endossou a lamúria. Criticou a exposição das divergências internas nas redes e defendeu a "base jurídica" da comissão. Para os nobres edis, a política ideal deveria acontecer em uma bolha isolada, longe dos teclados e dos cidadãos. Desejam o bônus da transmissão oficializada, mas rejeitam o ônus do julgamento popular.
 
   O problema é fácil de resolver.  Se as transmissões das sessões causam desconforto, que deixem de ser transmitidas e assim se economiza para aos cofres públicos e poupa os nobres pares de serem expostos em suas propostas por mais bem intencionadas que sejam, embora algumas natimortas e momentaneamente inviáveis.
 
   Esquecem-se os vereadores de que a liberdade de expressão e o direito à opinião — garantidos constitucionalmente tanto para profissionais de imprensa quanto para o cidadão comum — servem justamente como escudo contra o absurdo. A crítica jornalística e o humor satírico são ferramentas legítimas de controle social. Se um projeto não soma nada à comunidade e nasce natimorto, o papel da sociedade é opinar e até criticar. Tentar blindar o mandato contra a opinião pública não muda a realidade: Ibiporã continua despreparada para os autopropelidos, mas os vereadores continuam experts em pilotar o carrinho do vitimismo. Que nível...Ibiporã!
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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