Enquanto o centro de Ibiporã exibe com orgulho os seus novos, modernos e milionários abrigos de ônibus inteligentes — equipados com teto solar, carregadores de celular, iluminação de LED e bancos confortáveis —, a realidade na periferia escancara um abismo de desigualdade social e descaso com a coisa pública. Este é o modelo José Maria de administrar, como o faz com a periferia, à exemplo do Balneário Tibagí. Mas daqui a pouco vai com o presidente da Câmara nos bairros da zona sul fazer promessas de novo a caça de votos para o filho já em campanha escancarada para deputado.
Na zona sul da cidade, a modernidade é uma ficção distante. Na manhã de hoje, um vídeo gravado por moradores virilizou ao expor o drama diário de quem depende do transporte coletivo na região. Sob o manto da madrugada, ainda no escuro e sob chuva forte, uma cidadã foi flagrada tentando se proteger do temporal usando apenas uma toalha na cabeça.
Publicidade

Ali, nas ruas esquecidas pelo poder público, os pontos de parada não possuem sequer uma cobertura básica para proteger o trabalhador do frio intenso ou do sol causticante. Em alguns pontos do trajeto o cidadão conta apenas com poste para esconder do sol, ou uma pequena árvores para explorar a sombra.
A grande ironia dessa política de aparências reside nas promessas vazias que se arrastam há anos. A administração municipal garantiu que as antigas coberturas retiradas do centro seriam realocadas para os bairros periféricos. No entanto, enquanto o cidadão da periferia "toma chuva e sol quente no lombo", mais de uma dezena dessas estruturas de metal estão jogadas, abandonadas e apodrecendo nas áreas de descarte da prefeitura.

Trata-se de um verdadeiro desrespeito com o dinheiro do contribuinte e uma afronta à dignidade do trabalhador. Afinal, o imposto pago pelo morador da zona sul possui o mesmo valor legal e fiscal que o imposto arrecadado nas áreas nobres da cidade. No entanto, o retorno estatal é medido pela visibilidade política: para a vitrine, o primeiro mundo; para a periferia, o absoluto nada. Por que, então, o direito ao mínimo de conforto e respeito é tratado de forma tão desigual? O morador da periferia só é lembrado em época de eleição?
Essa segregação urbana escancara um preconceito institucionalizado. Governar apenas para o cartão-postal, relegando a maioria da população à indignidade, é uma vergonha administrativa que beira a desumanidade. Mas o calendário corre. O lombo do trabalhador aguenta a chuva e o sol de hoje, mas guarda a memória para o amanhã. O próximo período eleitoral está batendo à porta, e a urna eletrônica será o abrigo onde o cidadão de bem dará a sua resposta definitiva a essa gestão que escolheu governar para as luzes de LED, virando as costas para o próprio povo.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

Comentários: