

Nos grupos de Facebook ou WhatsApp de Educação Física, um assunto vem dominando as discussões: a vacinação dos profissionais da área. O debate fica ainda mais intenso porque enquanto alguns municípios já disponibilizaram a vacinação, outros não tem previsão de imunização. Em Ibiporã o professor Sávio Bandeira, expôs sua indignação nas suas redes sociais, deixando claro que a categoria de “Personal Trainer” se enquadra não só na educação como também na área de saúde. Então questiona, porque estes profissionais não estão sendo enquadrados pela administração como “grupo prioritário” na fila da vacinação?
Vamos entender melhor o que está por trás disso.
Em 2017, o Conselho Nacional de Saúde reconheceu o profissional de Educação Física como profissional da área de saúde. Entre outros aspectos, este reconhecimento considerou a importância das ações interdisciplinares no âmbito da saúde.
Segundo a última versão do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, divulgada em 29 de janeiro pelo Ministério da Saúde, profissionais de Educação Física fazem parte da lista de trabalhadores da saúde. Por isso, constam na lista de grupos prioritários recomendados para serem vacinados.
Porém, o documento traz mais uma informação importante. Segundo o Ministério da Saúde, trabalhadores de saúde são aqueles que atuam em espaços e estabelecimentos de assistência e vigilância à saúde, sejam eles hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios e outros locais. Inclusive, a recomendação é que no momento da vacinação seja solicitado documento que comprove a vinculação ativa do trabalhador com o serviço de saúde ou apresentação de declaração emitida pelo serviço de saúde. Não é sair vacinando sobrinho de secretário biônico que fica atrás de uma mesa no serviço administrativo. Ou seja: muitas cidades, assim como Ibiporã, só deverão estar vacinando profissionais de Educação Física que trabalham dentro de equipamentos específico de saúde, como por exemplo clínicas de fisioterapia e reabilitação, e olhe lá. Isto para os ibiporaenses que votaram no prefeito da competência, significa que aqueles que atuam como professores ou em academias ainda não têm direito à vacinação.
Outros municípios, porém, estão aceitando todo profissional de Educação Física, mediante apresentação do CREF.
Para estes a recomendação é que, antes de tentar ser vacinado, procure orientação da Secretaria de Saúde do seu município. Existem casos de profissionais que foram exonerados por tentar “furar a fila”, mesmo com o argumento de serem profissionais de Educação Física.
Entenda o papel do professor de Educação Física na pandemia
Neste cenário de pandemia, é importante considerar o leque de habilidades e competências do professor de Educação Física, especialmente a partir do foco em saúde. Assim, este professor é uma das pessoas indicadas para auxiliar a escola a implementar ações de promoção da saúde voltadas à prevenção e ao combate à transmissão do coronavírus.
Como fazer isso? Participando ativamente da construção do Plano de Retomada das Aulas, auxiliando na elaboração das medidas preventivas a serem adotadas tanto nas aulas de Educação Física quanto na rotina da escola como um todo. Potencializando a conscientização sobre atividade física/exercício/movimento como necessidade individual e coletiva dos alunos. Contribuindo com as ações de acolhimento, visando colocar em prática atividades para melhora da saúde emocional e mental de todos os membros da comunidade escolar, sobretudo dos alunos. Com os personal trainer, não é muito diferente. Aliás, estes profissionais atendem também idosos com comorbidades, o que já não ocorre com professores de escolas. Ou seja, é obrigação da Secretaria Municipal de Saúde incluir estes profissionais na lista de profissionais prioritários independente de sua faixa etária de idade.

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