O Ministério Público do Paraná (MPPR) abriu um procedimento para apurar o reajuste da tarifa do transporte coletivo em Londrina, norte do estado. No dia 1º de janeiro deste ano, a passagem subiu de R$ 4,80 para R$ 5,75, quase 20%. O procedimento é chamado de notícia de fato, que é uma investigação preliminar. A apuração será feita pela Promotoria de Defesa dos Direitos do Consumidor.
Segundo o despacho de instauração obtido pela reportagem, o Ministério Público pediu informações "detalhadas e atualizadas" da composição do preço da tarifa e esclarecimentos do critério utilizado para o reajuste. O pedido foi encaminhado à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia o transporte coletivo. A pasta tem 10 dias para enviar as respostas. A CMTU confirmou que recebeu o ofício e enviará "as informações solicitadas, como faz de forma rotineira".
Aumento acima da inflação
Anunciado na virada do ano, o aumento de quase 20% é quatro vezes maior do que a prévia da inflação de 2023, que ficou em 4,72%. A taxa é aferida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Curiosamente estes "abusos" ocorrem geralmente em véspera e ano de eleição. No início do ano passado, a passagem subiu no mesmo percentual. Passou de R$ 4 para R$ 4,80. A prefeitura usa dinheiro de impostos para cobrir o custo da tarifa. Até o início de novembro de 2023, quando foi feita a última atualização, o poder público tinha repassado mais de R$ 34 milhões às duas empresas que operam o transporte coletivo na cidade, porém a qualidade da prestação de serviço é discutível.

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