A reinauguração do Colégio Dr. Francisco Gutierrez Beltrão em Ibiporã expôs um clássico palanque de oportunismo político. A obra de reforma e ampliação da histórica unidade da década de 1950, vendida com pompa e confetes pela assessoria do município, nada mais foi do que uma festa feita com chapéu alheio pela administração local. O montante de mais de R$ 8,2 milhões investido na reestruturação física veio integralmente dos cofres do Governo do Estado do Paraná, por meio do Fundepar.
Mesmo formalmente de férias e oficialmente licenciado do cargo, o prefeito José Maria Ferreira não resistiu aos holofotes. Ele interrompeu a campanha eleitoral em favor do filho para garantir espaço no palanque montado na nova quadra poliesportiva. A presença do gestor municipal escancarou a velha politicagem de se associar a uma estrutura "padrão escola particular" bancada pelo erário estadual, capitaneado na cerimônia pelo governador em exercício Darci Piana, dividendos político para sua prole.
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O Raio-X do Investimento Estadual
O dinheiro do Estado transformou o colégio, expandindo a área construída de 2,6 mil para mais de 3,2 mil metros quadrados.
- Infraestrutura renovada: Substituição completa de cobertura, forros e pisos, além de readequação elétrica e hidráulica.
- Novas áreas: Construção de refeitório, cozinha, sala de jogos, pátio coberto, sanitários e estacionamento.
- Uso compartilhado: Atendimento aos alunos municipais (manhã/tarde) e ao Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos (Ceebja) no período noturno.
Repercussão e Críticas nas Mídias Sociais
Nas redes da Prefeitura de Ibiporã, a entrega foi pintada com tons de "conquista municipal". Além disso, a administração correu para faturar politicamente em cima de um mural escultórico integrado ao muro externo (retratando a história do café e o desenvolvimento local), tentando transferir o brilho da obra bilionária do Estado para o urbanismo da cidade.
A população, no entanto, não perdoou as contradições nos comentários das postagens oficiais. Enquanto ex-alunos ironizavam o fato de que no passado o colégio "estava caindo aos pedaços", moradores mais atentos questionaram abertamente a pressa do evento eleitoreiro: a entrega festiva ocorreu em uma quinta-feira com a escola completamente vazia de alunos e professores, que só devem usufruir de fato da nova estrutura no próximo ano letivo. Uma encenação perfeita para quem precisava colher louros de uma árvore que não plantou.
O modus operandi do prefeito José Maria Ferreira já se tornou uma marca registrada na política de Ibiporã: capitalizar em cima do esforço e do dinheiro alheio, transformando repasses estaduais e federais em "palanque puramente pessoal". A recente festa com o Colégio Dr. Francisco Gutierrez Beltrão não é um fato isolado, mas a repetição exata de uma fórmula antiga que só não vê, os puxa-sacos.
O maior exemplo histórico dessa tática é o Lago Don Pedro Zilli (situado no entorno do loteamento Beltrão Park Residence), idealizado e executado parcialmente na gestão do ex-prefeito João Toledo Coloniezi, ainda no MDB. A obra do lago arrastou-se por quatro longos anos, por intervenção indireta, com a ajuda do legislativo e enfrentou paralisações, atrasos e justificativas climáticas crônicas.
Quando finalmente foi concluída, o prefeito correu para as redes sociais e organizou inaugurações pomposas para vender o espaço como uma "conquista exclusiva de sua gestão", omitindo os massivos aportes, convênios e licenças externas que viabilizaram a estrutura ao longo dos anos.
A Cartilha do Oportunismo: Como Funciona o Esquema
- A "Mágica" do Dinheiro Carimbado: O município raramente assume o risco financeiro de erguer grandes estruturas com IPTU ou ISS locais. O prefeito aguarda a liberação de recursos do Governo do Estado ou de emendas parlamentares federais (como os milhões articulados em Brasília para projetos como o Parque/Lago dos Tucanos). Quando a verba cai na conta, a máquina de propaganda da prefeitura entra em ação para apagar o nome do verdadeiro pagador.
- Interrupção de Férias para Fotos: Estar oficialmente de licença ou desimpedida das funções não é barreira para o prefeito. Se há uma fita brilhante para cortar ou um palco montado pelo Estado, ele interrompe " a campanha do filho" para vestir o colete institucional e garantir que sua imagem apareça em destaque na foto oficial.
- O "Puxadinho" Visual: Para fingir paternidade nas obras do Estado, o município costuma aplicar pequenas intervenções cosméticas tardias no entorno — como um asfalto na rua lateral, um letreiro instagramável ou um grafite temático. Essas pequenas ações servem de pretexto para que a assessoria municipal publique que o projeto é uma "parceria", ocultando o fato de que 95% do dinheiro veio de fora. VERGONHOSO!
- Inaugurações sem Utilidade Imediata: Pouco importa se a escola está vazia de alunos ou se os equipamentos periféricos ainda operam de forma precária. O cronograma que rege o prefeito não é o calendário letivo ou social, mas sim o calendário do marketing político. A festa precisa acontecer no pico do engajamento midiático.
Essa estratégia de governar fazendo cortesia com o chapéu dos outros esconde uma realidade bem mais incômoda nos bastidores locais. Enquanto o prefeito corre para faturar politicamente com as estruturas bilionárias entregues pelo Estado, as obras financiadas puramente pelo caixa do município — como a arrastada e polêmica reforma da própria sede da Prefeitura de Ibiporã — enfrentam graves denúncias de paralisação, suspeitas de irregularidades e auditorias do Ministério Público (GEPATRIA) por suposto desperdício de dinheiro público.
Fica evidente que para o prefeito é muito mais fácil e lucrativo festejar os milhões do Fundepar do que explicar por que as obras de responsabilidade direta de sua própria caneta continuam sob a lupa da justiça.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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