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Quarta-feira, 17 de Junho de 2026
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Homenagem a imigrantes italianos, nos remete a uma história de lição de vida

Vale a pena ler esta história contada pelo maior pregador do evangelho de todos os tempos: Billy Graham

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Homenagem a imigrantes italianos, nos remete a uma história de lição de vida
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Em outubro de 1917, um navio de passageiros transportando imigrantes italianos rumo a Nova York foi apanhado por uma violenta tempestade no Atlântico. Entre os passageiros estava Antonio Russo, um carpinteiro de vinte e oito anos e sua filha Maria de apenas cinco. A esposa de Antonio havia morrido no parto anos antes. A América era a última esperança de escapar da pobreza e dar a filha um futuro que a Itália não podia oferecer naqueles dias.

Às duas horas da manhã, ondas gigantescas quebram sobre o convés. A água invadiu os compartimentos inferiores, onde dormiam os passageiros de terceira classe. O navio começou a adernar perigosamente. Gritos tomaram os corredores enquanto as pessoas avançavam em pânico, empurrando e pisoteando umas as outras em direção às escadas.

Antonio tirou Maria do beliche e avanço à força mantendo-a acima da água que subia rapidamente. Mas a multidão era densa demais e o alagamento veloz demais, o ângulo do navio, íngreme demais. Antonio entendeu a verdade terrível: eles não chegariam ao bote salva-vidas. Restavam apenas minutos para o naufrágio total da embarcação.

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Em meio ao caos ele alcançou uma escotilha quebrada pela tempestade. Era pequena mas grande o suficiente para uma criança. Do outro lado havia somente o Atlântico, negro e gelado. Ao longe Antonio viu fachos de luz cortando a escuridão. Barcos de resgate estavam se aproximando. Ele olhou para Maria, chorando e agarrada a ele. Então fez a escolha que definiria sua vida, empurrando a filha pela escotilha. Maria gritou ao cair no mar. Antonio gritou de volta com sua voz rasgando a tempestade. _"Nade Maria, nade em direção a luz. Os navios estão chegando, nade"...

Ele sabia que ela tinha uma chance. Sabia também que ele não teria a mesma sorte. E o navio afundou sete minutos depois. Antonio Russo morreu afogado junto com outros cento e dezessete passageiros da terceira classe presos no compartimento inferior do navio. Seu corpo nunca foi encontrado.

Maria Russo foi resgatada da água quarenta e cinco minutos depois com hipotermia severa e à beira da morte, mas viva. Foi enrrolada em cobertores e levada para um navio hospital. Tinha cinco anos, estava órfã, traumatizada em um país estrangeiro sem falar inglês. Ela lembrava apenas das últimas palavras do pai. "Nade em direção a luz"...

Maria foi levada para um orfanato em Nova York. Durante anos acreditou que o pai ainda pudesse estar vivo. Ninguém conseguiu lhe dizer o que havia acontecido com Antonio Russo. Com o tempo, a esperança virou confusão...depois dor. Ela passou a acreditar no impensável: que o pai a havia abandonado. Que jogá-la no oceano significava que ele não a queria. Ela viveu com essa crença por vinte e cinco anos.

A verdade só chegou quando ela tinha trinta anos. Um pesquisador ao revisar os registros do naufrágio de 1917, encontrou o nome de Antonio Russo entre os mortos. Só então Maria entendeu o que o pai havia feito. Que ele se sacrificara para que ela pudesse viver. Maria Russo viveu até 2004 morrendo aos noventa e dois anos. Em 1995, aos oitenta e três anos, ela contou sua história em uma entrevista sobre o naufrágio.

"Achei que o meu pai estava me matando. Não entendi que ele estava me salvando. Por anos pensei que ele tinha me jogado fora. A verdae é que ele me lançou em direção à vida", desabafou. Maria se casou e teve quatro filhos, nove netos e seis bisnetos. Trinta e uma vidas que existiram porque um homem fez uma escolha impossível no escuro do Atlântico.

"Cada aniversário, cada momento bom de minha vida existe porque meu pai me escolheu em vez de escolher a si mesmo. Vejo o rosto dele naquela escotilha todas as noites. Ouço ele gritar: "Nade em direção a Luz". Estou nadando em direção a luz a sessenta e oito anos. Espero tê-lo deixado orgulhoso.  Suas últimas palavras sobre Antonio Russo foram simples: "Obrigado papai, por me lançar em direção à vida. Te amo!" Alguns atos de amor, duram mais que uma vida inteira.

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Billy Graham
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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