
Promotores do Gaeco na cola dos policiais militares que blindavam festas clandestinas em troca de propina
O Gaeco (Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado), por meio da promotoria de auditoria militar, ofereceu denúncia por prevaricação contra dois policiais que teriam se omitido da função de fiscalização e recebido propina para permitirem festas clandestinas durante a pandemia em Ibiporã. A denúncia foi protocolada na última sexta-feira na Vara de Auditoria Militar, mas só chegou ao conhecimento público, hoje.
Segundo a denúncia, um policial militar de Ibiporã teria sido contratado no dia 11 de abril para "blindar" uma festa clandestina em um espaço de eventos. O agente mantinha contato pelo aplicativo WhatsApp com outro policial que atendia no Copom, pelo 190, solicitando que ele não mandasse viaturas para atender as ocorrências de denúncias contra a festa ilegal. Ou seja, ambos deixariam de cumprir a função de impedir a realização de evento em desacordo com as medidas sanitárias de enfrentamento à pandemia.
Com autorização da Justiça, a Promotoria teve acesso aos áudios da tratativa. Em um dos trechos o PM que atendia pelo Copom afirmou ao policial que estava no evento clandestino que poderia ficar "sossegado", pois diante de uma eventual solicitação, "cancelaria" o atendimento, demonstrando que sequer enviaria uma equipe policial.
Pela infração penal o Ministério Público pede a perda dos cargos e funções ocupados pelos denunciados. Os promotores do Gaeco, Jorge Barreto, Leandro Antunes e a promotora Kelly Caldeiras ainda pedem que a justiça estabeleça uma multa em vista da gravidade para toda a coletividade em meio à grave pandemia do Covid 19.
A Folha não conseguiu contato com os policiais. No sistema do Judiciário, os réus não possuem ainda advogados constituídos oficialmente. O Tenente Coronel Nelson Villa, comandante do 5° Batalhão da Policia Militar em Londrina, informou que não teve acesso a denúncia, mas disse que a PM "não coaduna com qualquer indício de irregularidade". Ele também aponta que o oferecimento da denúncia é a demonstração da "seriedade, celeridade e rigor com os quais a Policia Militar trata os indícios de irregularidades, seja quais forem".


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