Folha Regional On line

Notícias MEIO AMBIENTE

Áreas de lazer em fundos de vale na área urbana pedem socorro

Locais que outrora foram frequentados por muitas famílias, hoje estão abandonados

Áreas de lazer em fundos de vale na área urbana pedem socorro
Folha Portal/Ely Damasceno
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

   

 Futuro Lago Beltrão Park na zona sul de Ibiporã

     Ibiporã é mesmo uma cidade privilegiada, não obstante algumas peculiaridades que exigem nos dias atuais como, prioridades e mais atenção do poder público, ficam relegados ao descaso. É o caso de nossos fundos de vales, rico em belezas naturais e fontes de vida com inúmeras nascentes de água potável e potencial área para lazer e porque não dizer, até turismo. E porque é privilegiado? Porque mesmo fadado ao abandono, estas áreas “dentro da cidade” fosse numa cidade como Londrina ou qualquer outra com porte de metrópole, já estaria invadido e transformado em favela. 
     A política urbana induz o processo de ocupação dos fundos de vale sem respeitar a dinâmica natural desses locais, e quiçá as legislações ambientais. O povo nem sabe o que é isso. Acham que pode fazer dos fundos de vale uma espécie de zona rural. Infelizmente, isto começa a acontecer aqui. Nossa reportagem deparou até com galinheiros e chiqueiros de porcos em um de nossos fundos de vale.
     A indiferença do pode público só tende a desvalorização dessas áreas até porque para o mercado imobiliário não há futuro dado as mudanças na legislação ambiental que, ainda assim busca preservar o meio ambiente. Assim, esta legislação acaba por buscar preservar o pouco que resta das nascentes, embora sem uma ação mais enérgica das autoridades, podem acabar extintas com o tempo. Alguns fundos de vale, viram depósito de lixo e entulho como já foi visto no Jardim San Rafael o que exigiu muito trabalho na recuperação e revitalização à margem da rua Porecatu. Passaram pouco mais de um ano, e a população já voltou a jogar lixo e entulho por lá.

Rua Porecatu recebeu desassoreamento do fundo de vale, limpeza, galerias de águas pluviais, asfalto, ciclovia e urbanização

    A falta de educação comprova que por mais eficiente que seja os projetos desenvolvidos e os trabalhos em prol da recuperação dessas áreas, se não houver uma fiscalização rigorosa, dia a dia do poder público, a coisa volta a desandar. 
      A pavimentação asfáltica, a canalização das águas pluviais e o tamponamento de alguns trechos de cursos de água no Córrego Coarí advindos da rua Francisco Loures Salinet (galerias pluviais), e Martinho Diniz (nascentes ou minas) agravaram o processo erosivo como ocorre ao longo do vale que é margeado pelos bairros Deltaville e Recanto Parque Coarí. Só não está pior porque a própria natureza encarregou-se de cuidar de sí mesma.

  Lagos irão valorizar estrutura urbana, e imobiliária proporcionando qualidade de vida
     A implantação dos “lagos”, seja o da zona sul, iniciado pelo prefeito João Coloniezi, ou seja o sonhado lago da zona norte, pelo prefeito José Maria demonstram ser ser uma alternativa viável para o município, resgatando e mobilizando a população, transformando a convivência com os cursos d’água no meio urbano e atingindo os objetivos desejados nos níveis social, cultural e ecológico, sem comprometer o importante papel das áreas de fundo de vale na manutenção da biodiversidade e do equilíbrio ambiental. 
     Há muito tempo observa-se uma estreita relação entre a localização das cidades e a existência de cursos d’água. Isso se deve, principalmente, às características associadas à presença dos rios nos núcleos urbanos – além de fornecer água potável, possibilitam controle do território, subsistência, meio de circulação de pessoas e bens, energia hidráulica e opções de lazer. O papel dos cursos d’água na estruturação urbana seria análogo ao de espinhas dorsais,  tornando-se muitas vezes eixos de desenvolvimento do desenho da cidade. 
Mas para isso,  precisa haver mais investimentos e um maior cuidado do poder público com os fundos de vale, berço para o avanço da educação ambiental, e da manutenção da qualidade de vida.
     É preciso fazer de nossos fundos de vale, um ponto de partida para o desenvolvimento e o progresso promovendo não só a valorização dos espaços, a qualidade de vida e a valorização imobiliária ao redor, como num futuro breve, veremos ao final das obras de nossos lagos.
Criar lagos e parques lineares aproveitando os córregos urbanos é uma forma de resgatar os fundos de vale e os cursos d’água como áreas de convívio, de lazer e de contemplação inseridos na paisagem urbana.   No entanto, não temos notícias de que haja algum projeto de recuperação desses locais onde outrora já foram áreas de lazer, seja na zona norte, ao longo da Rua Manoel Ferreira, seja na zona oeste ao longo da rua Pedro Willi no (Córrego da Forquilha) no Jardim Semprebom.

  Situação de abandono

     A situação em que se encontram estes dois locais, dentro da área urbana, é inadmissível nos dias de hoje quando o mundo inteiro discute questões ambientais. As condições atuais destes locais especificamente nas nascentes localizadas no perímetro urbano do município é um crime. A situação encontrada especialmente no fundo de vale no Jardim Semprebom é lamentável.

     O abandono do local proporcionou a degradação, o vandalismo, a frequência de maus elementos, e consequentemente a insegurança. Inaugurado em dezembro de 1988, no final do mandato do 10°-prefeito de Ibiporã, Daniel Pelisson, a história mostra que esta área de lazer executada pela Codesi com recursos do Ministério do Desenvolvimento Urbano, e Ministério do Interior, nunca mais soube o que é cuidado. Por outro lado, a própria população também não fez por onde preservar o que lhes foi entregue. O que resta hoje é o fruto do descaso de ambos. Seja da população, seja do poder público.


     O local antes aprazível para um lazer com a família, hoje só existe escombros. Em parte tomado pelo mato, mesas e bancos destruídos por vândalos, tal qual a iluminação pública que teve os postes quebrados e a fiação furtada. Os alambrados arrebentados e as nascentes poluídas. Na piscina, banhada pelas águas das nascentes, pequenos peixes demonstram que apesar de tudo, a vida ainda resiste. A luta pela sobrevivência no curso de água é ameaçada ao passo que recebe dejetos de chiqueiro de porcos e galinheiros proporcionado pela ocupação daquele local, sem nenhuma fiscalização. Sem falar no lixo que segue ao fluxo do Córrego Forquilha, onde cerca de um quilômetro abaixo, chega a enroscar num bambuzal. Naquele local, a administração passada construiu uma ponte de interligação entre a zona oeste e a zona sul passando pelo residencial Frangão.


      Recentemente recebeu cuidado da prefeitura com limpeza e uma cerca de isolamento na intensão de coibir invasões e descarte irregular de lixo, como ocorre no fundo de vale da Rua Porecatu. Mas ainda é pouco. Há muito a ser feito ainda. Um mutirão de limpeza e manutenção com os próprios servidores da prefeitura, já mudariam o visual. Algumas árvores que correm o risco de cair, precisam ser cortadas, bem como o mato que tomou conta do local. Uma pequena manutenção (limpeza) na piscina, já devolveria as condições de uso em condições de higiene. Ainda assim, nesta situação encontramos alguns garotos que se aventuram no calor, a brincar ali, sem nenhuma preocupação com a saúde.

Mesas e banquinhos que serviam se locais para um pic nic, hoje estão destruídos

Curso de água que vem das minas, estão sendo poluídos com dejetos e muito lixo

Piscinas ainda em condições impróprias, são utilizadas em dias de muito calor

Poluição e descarte de lixo agride ao meio ambiente que resiste

Postes arrebentados com fios expostos e árvores prestes a cair oferecem riscos

Lambarís e Guarús que chegam pela natureza das águas, povoam a piscina ainda que poluída

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
Comentários:

Veja também

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!