O Paraná vive um momento de aparente estabilidade, mas por trás da superfície de prosperidade fabricada pela propaganda oficial, há um governo sem alma, sem projeto e sem rumo. Ratinho Junior construiu sua trajetória mais pela força do sobrenome e pelo poder da comunicação herdada do pai do que pela própria capacidade política ou visão administrativa. É um governador que parece ter ganhado o cargo de presente e, com ele, o risco de desperdiçar uma década de oportunidades históricas para o estado.
Controlando direta ou indiretamente parte significativa da mídia regional, Ratinho Jr criou um ambiente onde a crítica é abafada e o marketing substitui a gestão. A comunicação é eficaz porque o dono da máquina pública é também o dono dos canais de divulgação. Com isso, a narrativa de “gestor moderno e eficiente” se sustenta em publicidade milionária, não em resultados concretos. O governo fala de inovação, mas administra como um velho coronel midiático: centraliza decisões, silencia divergências e transforma a propaganda em política de Estado.
Enquanto a vitrine brilha, a estrutura apodrece. O Paraná vem sendo desmontado pela venda apressada de ativos públicos e pela distribuição aleatória de recursos a prefeitos que muitas vezes não têm projetos estruturantes. O dinheiro circula, os anúncios são feitos, mas o desenvolvimento não se consolida. É um ciclo de aparência e dependência: prefeitos viram reféns do repasse, deputados da publicidade e a população de promessas.
E como se não bastasse, o mesmo governo que posa de aliado dos municípios retirou milhões das prefeituras ao alterar a forma de repasse do IPVA, concentrando receita no caixa estadual. Com um golpe administrativo silencioso, Ratinho Jr desmontou uma das principais fontes de arrecadação local, prejudicando obras, serviços e planejamento municipal. É o tipo de contradição que revela o verdadeiro caráter de sua gestão: o discurso é descentralizador, mas a prática é de concentração e controle.
A ausência de projeto é acompanhada por um profundo descaso com o funcionalismo público. Professores, servidores da saúde, agentes de segurança e técnicos administrativos convivem com congelamento salarial, perda de direitos e o abandono do diálogo. O governo se vangloria de equilíbrio fiscal enquanto estrangula carreiras e sucateia serviços essenciais. Um Estado forte não se constrói enfraquecendo quem o faz funcionar.
A política de segurança, por sua vez, se transformou num espetáculo de força. Crescem as denúncias de violência policial, operações abusivas e uso político das forças de segurança, muitas vezes com apoio velado da cúpula do governo. O discurso de autoridade serve para mascarar a ausência de políticas sociais e de prevenção. O resultado é uma gestão que confunde ordem com autoritarismo e segurança com repressão.
Ratinho Jr se comporta como um gestor que governa o presente para aparecer no futuro, sem deixar herança administrativa ou política. Sua base é sustentada por acordos e repasses, não por ideias. O que se vê é um governador incapaz de formar sucessores, porque nenhum projeto sobrevive à sombra do marketing. O Paraná, que já teve lideranças com visão nacional, hoje é governado por um personagem que depende da popularidade do pai e do humor da Faria Lima.
No cenário nacional, Ratinho Jr não sabe para onde olha. Oscila entre o oportunismo de se alinhar a Tarcísio de Freitas, a hesitação diante de Brasília e a submissão às expectativas do mercado. Espera o movimento dos outros para decidir o próprio rumo. É o retrato de um governo sem identidade, que prefere ser coadjuvante em vez de protagonista. O Paraná, que sempre teve voz própria, hoje ecoa o discurso dos outros.
No fundo, o que se revela é um modelo de poder baseado na imagem e na conveniência. O governo Ratinho Jr pode até parecer estável, mas é frágil. Sustenta-se em marketing e silêncio, não em coerência e resultados. Falta-lhe a coragem de quem pensa o Estado além das eleições.
Ratinho é um governador sem marca, sem sucessor e sem coragem. Vende modernidade, entrega improviso. Propaga eficiência, mas vive de aparência. O Paraná não precisa de um herdeiro de microfone, precisa de um líder de visão, capaz de reconstruir o sentido público da política e devolver ao Estado o que ele perdeu: projeto, verdade e grandeza.
No fim, Ratinho Jr é o governador que tinha a faca e o queijo na mão, mas sumiu com a faca e comeu o queijo.


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