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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
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A Matemática Seletiva de Ibiporã: Um Por Cento para Muitos, 10 Mil para Um

Enquanto o funcionalismo público amarga um reajuste de “esmola”, a Prefeitura de Ibiporã demonstra que o “limite prudencial” é um conceito elástico — principalmente quando se trata de criar cargos para o alto escalão.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
A Matemática Seletiva de Ibiporã: Um Por Cento para Muitos, 10 Mil para Um
📸Arquivo - Professor Abreu:"Valor irrisório" sobre cargo comissionado com salário de R$ 10.200,00
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    Em uma demonstração de malabarismo fiscal que desafia a lógica do trabalhador comum, a administração do prefeito José Maria Ferreira (PSD) enviou à Câmara o Projeto de Lei 008/26. A proposta é simples: alterar a Lei 3234/23 para criar uma vaguinha estratégica — o cargo de Diretor do Departamento de Manutenção e Reparos para a Secretaria de Obras. O salário? Uns “irrisórios” R$ 10.200,00 mensais.

   A ironia da situação não passou despercebida nos corredores do Legislativo. Recentemente, o Executivo concedeu um aumento de apenas 1% dividido em duas parcelas, com 0,5% aplicado a partir de março e os outros 0,5% a partir de junho, visando o "equilíbrio financeiro" aos servidores municipais.

   Na ocasião, a justificativa foi o famigerado “limite prudencial” da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelo visto, o limite trava o prato de comida do servidor, mas abre passagem para o banquete dos apadrinhados em cargos em comissão.

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“Eu queria ganhar esse valor irrisório”
    O vereador Hugo Furrier (MDB), voz solitária na oposição ao projeto, não poupou sarcasmo ao criticar a prioridade da gestão. “Eu queria ganhar um valor irrisório desses”, disparou Furrier, o único a votar contra a criação do cargo. Para o parlamentar, a conta não fecha: falta dinheiro para quem carrega a prefeitura nas costas, mas sobra para acomodar novos nomes na folha de pagamento. "Isto aqui, é para apadrinhar mais um", disparou.

   Do outro lado, o Professor Abreu (Republicanos) assumiu o papel de “escudeiro real”. Defendeu com unhas e dentes a urgência da nova diretoria na Secretaria de Obras alegando a necessidade frente ao "custo irrisório" aos cofres públicos. Nos bastidores, porém, o comentário é que a vaga já nasceu com “Dono”, servindo de abrigo para mais um apadrinhado político da atual gestão.

O “Conserto” que sai Caro
   Enquanto o Departamento de Manutenção e Reparos ganha um chefe de 10 mil reais, o funcionalismo segue tentando reparar o estrago que a inflação faz em salários reajustados com duas parcelas de meio por cento.  Em Ibiporã, a manutenção parece estar em dia — ao menos a manutenção dos privilégios e das alianças políticas. Para o povo e para o servidor, resta a prudência; para os amigos do poder, a generosidade do erário. Uma vergonha que, infelizmente nesta administração, já virou rotina, quando não escândalo!

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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