Em uma demonstração de malabarismo fiscal que desafia a lógica do trabalhador comum, a administração do prefeito José Maria Ferreira (PSD) enviou à Câmara o Projeto de Lei 008/26. A proposta é simples: alterar a Lei 3234/23 para criar uma vaguinha estratégica — o cargo de Diretor do Departamento de Manutenção e Reparos para a Secretaria de Obras. O salário? Uns “irrisórios” R$ 10.200,00 mensais.
A ironia da situação não passou despercebida nos corredores do Legislativo. Recentemente, o Executivo concedeu um aumento de apenas 1% dividido em duas parcelas, com 0,5% aplicado a partir de março e os outros 0,5% a partir de junho, visando o "equilíbrio financeiro" aos servidores municipais.
Na ocasião, a justificativa foi o famigerado “limite prudencial” da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pelo visto, o limite trava o prato de comida do servidor, mas abre passagem para o banquete dos apadrinhados em cargos em comissão.
“Eu queria ganhar esse valor irrisório”
O vereador Hugo Furrier (MDB), voz solitária na oposição ao projeto, não poupou sarcasmo ao criticar a prioridade da gestão. “Eu queria ganhar um valor irrisório desses”, disparou Furrier, o único a votar contra a criação do cargo. Para o parlamentar, a conta não fecha: falta dinheiro para quem carrega a prefeitura nas costas, mas sobra para acomodar novos nomes na folha de pagamento. "Isto aqui, é para apadrinhar mais um", disparou.
Do outro lado, o Professor Abreu (Republicanos) assumiu o papel de “escudeiro real”. Defendeu com unhas e dentes a urgência da nova diretoria na Secretaria de Obras alegando a necessidade frente ao "custo irrisório" aos cofres públicos. Nos bastidores, porém, o comentário é que a vaga já nasceu com “Dono”, servindo de abrigo para mais um apadrinhado político da atual gestão.
O “Conserto” que sai Caro
Enquanto o Departamento de Manutenção e Reparos ganha um chefe de 10 mil reais, o funcionalismo segue tentando reparar o estrago que a inflação faz em salários reajustados com duas parcelas de meio por cento. Em Ibiporã, a manutenção parece estar em dia — ao menos a manutenção dos privilégios e das alianças políticas. Para o povo e para o servidor, resta a prudência; para os amigos do poder, a generosidade do erário. Uma vergonha que, infelizmente nesta administração, já virou rotina, quando não escândalo!

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