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Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026
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Sem Hospital, administração municipal de Jataizinho enfrenta desafios e conta com solidariedade de cidades vizinhas

Com único pronto-socorro de portas fechadas e impasse travado na Justiça, mais de 12 mil moradores dependem de ambulâncias e adaptação de UBS para Pronto Atendimento

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Sem Hospital, administração municipal de Jataizinho enfrenta desafios e conta com solidariedade de cidades vizinhas
📸Arquivo/Google Street View
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   O fechamento do Hospital São Camilo transformou a rotina dos moradores de Jataizinho em uma tensa corrida contra o tempo pela sobrevivência. Desde quando a única instituição hospitalar da cidade lacrou suas portas e suspendeu as atividades, quem precisa de socorro médico urgente enfrenta a angústia de não ter para onde correr dentro do próprio município embora a administração municipal tenha se desdobrado para atender a demanda.

   A crise assistencial gerou um severo embate jurídico que resultou no aumento da multa diária contra a instituição para R$ 8 mil, determinada pela juíza Sonia Fuzinato, da Vara de Fazenda Pública de Ibiporã. No entanto, a punição financeira severa aplicada pela Justiça não apaga o medo que tomou conta de mães, idosos e trabalhadores locais, expostos à desassistência em caso de uma emergência na madrugada.

   A secretária de saúde do município, Ângela Meneses atendendo a nossa reportagem relatou que o Serviço de Pronto Atendimento 24 horas, ainda permanece em prédio alugado enquanto a UBS central, está em obra de acabamento para suprir o serviço que também conta com o apoio das demais unidades do município. “Nos casos mais graves nos valemos do Hospital Cristo Rei e contamos com o apoio do SAMU”, relatou. 
 
O drama real da espera e o risco das transferências rodoviárias
   A suspensão abrupta dos serviços de urgência e emergência pelo Hospital São Camilo, eliminou o único ponto de pronto-atendimento 24 horas disponível para a comunidade em condições hospitalar como pronto-socorro e internamento.

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   Agora, qualquer cidadão acometido por dores agudas, traumas, acidentes domésticos ou sintomas de infarto passa a depender obrigatoriamente do Pronto Atendimento (improvisado) ou da Central de Vagas gerenciada pela 17ª Regional de Saúde de Londrina.

   Apesar do improviso, sem a estrutura local regulamentar adequada, o tempo de resposta médica para salvar uma vida aumentou drasticamente. Para a parcela mais vulnerável da população, que não possui veículo próprio, a perda do hospital local significa depender exclusivamente do suporte escasso de ambulâncias municipais para buscar socorro em Ibiporã ou Londrina.

   Esse deslocamento compulsório pelas rodovias da região metropolitana eleva os riscos, transformando quadros de saúde perfeitamente tratáveis em situações críticas de alto risco devido ao fator tempo.

A raiz financeira da crise: subfinanciamento crônico e asfixia.
   Por trás das grades e das portas fechadas do hospital, cujo prédio provavelmente irá a venda, há um colapso financeiro estrutural que se arrastava silenciosamente há anos nos bastidores da saúde pública em Jataizinho.
   A direção administrativa do Hospital São Camilo alega que o custo operacional mínimo para manter o pronto-socorro em pleno funcionamento era de aproximadamente R$ 150 mil mensais. Em contrapartida, a soma de todos os convênios firmados conjuntamente com o Governo do Estado e a Prefeitura de Jataizinho garantia repasses mensais estáveis de apenas R$ 110 mil.

  Este déficit financeiro crônico e acumulado de R$ 40 mil a cada mês estrangulou a capacidade de investimento da instituição filantrópica. Nos últimos anos, para evitar a falência total, o hospital já havia desativado o seu centro cirúrgico e operava estritamente no limite de suas forças. 
A direção sustenta que cumpriu rigorosamente o aviso prévio de dois meses após rescindir o contrato com o Estado, mas a Prefeitura contestou veementemente a atitude. 

   O município apoiava-se em uma liminar judicial de primeira instância que exigia a manutenção contínua dos serviços de saúde até que houvesse uma rescisão homologada ou uma alternativa definitiva estruturada para os moradores.

O plano de contingência municipal e o desafio de uma UBS adaptada
  Para tentar amenizar o sofrimento público e conter a crise que se instalou na cidade, a prefeitura corre contra o relógio para concluir a adaptação emergencial da Unidade Básica de Saúde (UBS) central, localizada na Rua Monteiro Lobato. A promessa do Executivo municipal era iniciar o atendimento médico de urgência de forma provisória no local a partir do dia 1º de julho. No entanto com o prédio ainda em obras, o serviço concentra-se nas outras unidades de saúde além do Pronto Atendimento.

   A estratégia é integrar a unidade ao programa federal “Saúde na Hora” para expandir substancialmente o horário de funcionamento durante o período noturno.  No entanto, o desafio para viabilizar esse plano emergencial é complexo. Uma UBS tradicional é projetada para consultas preventivas de rotina, e não para acolher casos de alta complexidade. 

  Para suprir a carência severa de insumos, a administração municipal precisou recorrer ao empréstimo de macas, cadeiras de rodas e cilindros de oxigênio cedidos por municípios parceiros vizinhos.

   Enquanto a equipe médica terceirizada via Cismepar não assume as escalas definitivas de plantão na UBS e as adequações físicas seguem inacabadas, e os mais de 12 mil habitantes de Jataizinho continuam no drama, assistindo à guerra de liminares jurídicas enquanto torcem e rezam para não adoecer.
 
COMO BUSCAR ATENDIMENTO DE URGÊNCIA
A Secretaria Municipal de Saúde de Jataizinho orienta a população sobre os protocolos temporários de atendimento após o fechamento do hospital:
Casos Médicos de Urgência/Emergência: O morador deve acionar imediatamente o serviço de plantão municipal de ambulâncias pelo telefone de plantão ou o SAMU Regional (192).
Remoções Noturnas: As equipes estão de prontidão para efetuar a transferência imediata de pacientes graves diretamente para o Hospital Cristo Rei de Ibiporã ou unidades de Londrina. 
Consultas de Rotina: Seguem mantidas nas demais Unidades Básicas de Saúde do município nos horários de expediente comercial padrão.

Mais de meio século de história: de símbolo de orgulho a portas lacradas
   A crise que culminou no fechamento do Hospital São Camilo não fere apenas a rede de pronto-atendimento atual; ela atinge profundamente a identidade e a memória afetiva de Jataizinho. Erguida sob o ideal filantrópico inspirado em São Camilo de Lellis — o padroeiro dos doentes e dos hospitais —, a instituição foi concebida décadas atrás para ser o porto seguro de um município que crescia às margens do Rio Tibagi e da BR-369.

   Durante gerações, o hospital funcionou como a principal maternidade da cidade. Foi o endereço onde nasceu grande parte dos atuais 12 mil habitantes e onde famílias inteiras encontravam o primeiro socorro em momentos de vulnerabilidade.

   A unidade consolidou-se ao longo dos anos como um patrimônio comunitário essencial, mantido pelo esforço conjunto de convênios públicos e da dedicação de profissionais de saúde locais como Dr. Mario Sato.

   Ver uma estrutura com tamanha bagagem histórica ter suas atividades encerradas devido ao subfinanciamento e a impasses contratuais representa um marco doloroso para o município. Para os pioneiros e moradores mais antigos, o silêncio nos corredores do São Camilo simboliza um retrocesso que vai muito além das estatísticas e dos valores das multas judiciais: é o fechamento de um capítulo central da própria história de Jataizinho.

FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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