Parece que, para a atual gestão da Câmara Municipal, o conceito de “contribuir com a cidade” passou por uma atualização de software que muitos cidadãos ainda não entenderam. Segundo a ótica do presidente Rafael Eik Ferreira (PSD), o vereador Hugo Furrier (MDB) “não contribui”. A pergunta que fica no ar, pairando como fumaça de café de repartição, é: qual é a régua que mede essa produtividade?
Será que contribuir com a cidade, significa compartilhar de maracutaias com prefeito para benefício próprio em enriquecimento ilícito? É ser beneficiado com contratos ou em parcelamento de solo manipulado por mudança em Lei ou Plano Diretor? Perguntar, não ofende!
Para Furrier, a resposta é ácida e direta: estaria a eficiência parlamentar atrelada à quilometragem percorrida entre o Legislativo e o gabinete do prefeito? Se “contribuir” exige bater ponto no que ele apelidou carinhosamente de “puxadinho do Executivo”, então talvez estejamos confundindo o papel de vereador com o de decorador de interiores da prefeitura.
A crítica de Eik Ferreira sugere que a divergência é um erro, e o questionamento, uma falha de sistema. No entanto, Furrier rebate com o básico do manual democrático: estudar projetos e votar o que é importante para a cidade, é sim contibuir. “Eu faço a diferença na vida das pessoas”, declarou. Ele lança o desafio: “Quando foi que deixei de votar algo relevante para a cidade?”. O silêncio que segue essa pergunta é mais barulhento que qualquer discurso de tribuna.
A sátira aqui se escreve sozinha. Se para ser um “político que contribui” é preciso transformar a cadeira da Câmara em um apêndice do sofá do prefeito, então a independência virou artigo de luxo. Enquanto um lado prega a “harmonia” (leia-se: concordância total), o outro lembra que o papel do vereador não é ser o “sim, senhor” do Executivo, mas sim o filtro — às vezes desconfortável — que separa o interesse público do interesse político.
No fim das contas, a população assiste ao espetáculo: de um lado, a tentativa de carimbar o rótulo de “irrelevante” em quem questiona; do outro, alguém que prefere o desconforto da crítica à maciez do tapete do prefeito. Se a política virou um puxadinho, Furrier parece estar mais interessado em derrubar as paredes do que em escolher a cor da tinta. Até porque, é no puxadinho do prefeito que acontecem as maracutaias, geralmente envolvendo um vereador, como já denunciou por “ene” vezes, o Ministério Público do Paraná, quando não, o GAECO.

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