A assinatura da ordem de serviço para a retomada das obras na Escola Municipal Mário de Menezes, no Jardim Bom Pastor anunciada ontem pela Prefeitura de Ibiporã, traz um misto de alívio e indignação. Se por um lado o canteiro de obras volta a ganhar vida, por outro, os números e o histórico do projeto revelam um cenário de ineficiência que castiga o erário e, principalmente, o cotidiano escolar.
O montante investido até agora — pouco mais de R$ 2 milhões — parece um desperdício diante da paralisia que tomou conta da estrutura. Obras paradas não são apenas esqueletos de concreto; são investimentos que se deterioram sob o sol e a chuva, exigindo, muitas vezes, retrabalho e novos custos de manutenção antes mesmo da inauguração.
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A conta que não fecha (para o cidadão)
O novo aporte anunciado é de R$ 19,3 milhões. Em um cenário de recursos públicos escassos, o salto orçamentário levanta questionamentos sobre o planejamento inicial. Por que a obra parou? Houve falha na licitação, no projeto ou na fiscalização? O contribuinte de Ibiporã paga agora uma conta alta pela descontinuidade administrativa.
O novo aporte anunciado é de R$ 19,3 milhões. Em um cenário de recursos públicos escassos, o salto orçamentário levanta questionamentos sobre o planejamento inicial. Por que a obra parou? Houve falha na licitação, no projeto ou na fiscalização? O contribuinte de Ibiporã paga agora uma conta alta pela descontinuidade administrativa.
O custo invisível: o exílio dos alunos
Para além das cifras milionárias, existe um "custo humano" que não entra na planilha da Secretaria de Obras. Há meses (ou anos), a comunidade escolar da Mário de Menezes vive um verdadeiro exílio pedagógico. Alunos e professores foram fragmentados e "espalhados" por outras unidades de ensino da cidade. Essa logística improvisada gera transtornos imensuráveis:
Para além das cifras milionárias, existe um "custo humano" que não entra na planilha da Secretaria de Obras. Há meses (ou anos), a comunidade escolar da Mário de Menezes vive um verdadeiro exílio pedagógico. Alunos e professores foram fragmentados e "espalhados" por outras unidades de ensino da cidade. Essa logística improvisada gera transtornos imensuráveis:
- Perda de identidade: Uma escola é mais que um prédio; é um ponto de referência comunitária. Fora de seu "território", o vínculo entre escola e bairro se enfraquece.
- Logística familiar: Pais precisam se desdobrar em novos trajetos e horários para garantir que os filhos cheguem a locais que não eram os de sua escolha original.
- Sobrecarga das unidades receptoras: As escolas que acolheram esses alunos muitas vezes precisam lidar com salas superlotadas e espaços compartilhados às pressas, o que pode comprometer a qualidade do aprendizado de todos os envolvidos.
Olhar atento
A retomada é necessária e urgente, mas não deve ser celebrada com fogos de artifício sem antes passar pelo crivo da fiscalização. A Prefeitura de Ibiporã agora corre contra o tempo para entregar o que já deveria ser realidade. A promessa de investimento de R$ 19 milhões precisa se traduzir em cronograma rigoroso e transparência absoluta. Mas quem vai fiscalizar? Essa Câmara que está aí? Que faz coro com o prefeito e parece não ver (ou não quer) o que anda acontecendo?
A retomada é necessária e urgente, mas não deve ser celebrada com fogos de artifício sem antes passar pelo crivo da fiscalização. A Prefeitura de Ibiporã agora corre contra o tempo para entregar o que já deveria ser realidade. A promessa de investimento de R$ 19 milhões precisa se traduzir em cronograma rigoroso e transparência absoluta. Mas quem vai fiscalizar? Essa Câmara que está aí? Que faz coro com o prefeito e parece não ver (ou não quer) o que anda acontecendo?
A população não espera apenas uma escola de R$ 22,5 milhões; custo estimado até o final da obra, mas espera o fim do descaso com a educação de base e o retorno da dignidade para as crianças que, hoje, estudam com o olhar voltado para um canteiro de obras que demorou demais para despertar. Outro entrave é a escola do Terra Bonita, devagar quase parando. O sucesso na educação não deve estar focado somente nos índices de alfabetização. As estruturas físicas também merecem o mesmo padrão de cuidado, o que não está acontecendo a contento. Um exemplo disso foi o CEEP, quase 15 anos para a escola ser concluída e inaugurada.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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