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Sexta-feira, 09 de Outubro de 2026
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Inclusão Travada: Executivo de Ibiporã Ignora Proposta de Salas Sensoriais nas Escolas há quase um Ano

A iniciativa do parlamentar visa criar um ambiente projetado para apoiar a autorregulação e o bem-estar de alunos neuroatípicos

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Inclusão Travada: Executivo de Ibiporã Ignora Proposta de Salas Sensoriais nas Escolas há quase um Ano
📸Arquivo/CMI
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    A educação inclusiva em Ibiporã enfrenta uma barreira burocrática e uma aparente falta de prioridade por parte da administração municipal. O vereador Professor Mohamed (PL) reapresentou na Câmara Municipal os detalhes da Indicação nº 256/2026, que reitera um pedido protocolado originalmente no ano anterior (Indicação 431/2025).
 
   A proposta solicita a implantação experimental de salas sensoriais (baseadas no conceito Snoezelen) nas escolas municipais que atendem a Educação Infantil e os anos iniciais do Ensino Fundamental. Contudo, mesmo após cerca de um ano de espera, o Poder Executivo permanece em absoluto silêncio, sem enviar qualquer resposta prática ou previsão orçamentária sobre a medida.
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O que propõe o projeto?
   A iniciativa do parlamentar visa criar um ambiente projetado para apoiar a autorregulação e o bem-estar de alunos neuroatípicos, como estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH e outras necessidades específicas. O projeto prevê estruturas adaptadas com:
  • Isolamento acústico parcial para mitigar ruídos desestabilizadores.
  • Controle de iluminação com intensidade ajustável e projeção de imagens relaxantes.
  • Painéis táteis e tapetes sensoriais para estímulos físicos.
  • Equipamentos de som adequados para auxiliar no relaxamento e na concentração.
   De acordo com a justificativa apresentada pelo Professor Mohamed, o intuito é garantir que a rede municipal ofereça um espaço acolhedor e seguro, capaz de respeitar o ritmo individual e pedagógico de aprendizagem de cada criança, reduzindo crises decorrentes de sobrecarga sensorial.
Sucesso nacional contrasta com a inércia local
Enquanto Ibiporã empaca na falta de respostas, a implantação de ambientes multissensoriais e de descompressão avança como tendência nacional na educação básica. Municípios e estados que adotaram essa prática vêm colhendo resultados amplamente positivos:
  • Minas Gerais e Santa Catarina: Cidades como Brusque e programas estaduais mineiros registraram quedas expressivas nos quadros de ansiedade e agitação infantil dentro do ambiente de ensino, otimizando o foco pedagógico.
  • São Paulo: Cidades do interior paulista têm integrado essas salas ao selo da Educação 5.0, transformando os espaços públicos de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em polos tecnológicos e humanizados.
   Em nível federal, o tema é considerado tão urgente que o Congresso Nacional analisa propostas como o Projeto de Lei 4010/24, que pretende obrigar por lei a inclusão desses ambientes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).
 
A indiferença do Executivo compromete o futuro das crianças
    A ausência de um posicionamento oficial da Prefeitura de Ibiporã após quase um ano reflete uma grave indiferença em relação ao crescimento exponencial de matrículas de alunos neurodivergentes e com deficiências. Ignorar um projeto piloto de baixo custo e alto impacto social significa negligenciar não apenas o trabalho dos profissionais que atuam no suporte educacional, mas também o direito de dezenas de famílias ibiporãenses que dependem do ensino público para ver seus filhos evoluírem.
 
   A inclusão não pode ser tratada apenas como discurso ou letreiro em época de campanha; ela exige infraestrutura real. Ao se omitir diante da indicação da Câmara, o Executivo perde a oportunidade de colocar Ibiporã na vanguarda da educação paranaense e impõe um atraso injustificável no desenvolvimento de crianças que necessitam de amparo imediato.
 
   O prefeito e sua equipe pedagógica demonstram um alarmante descompasso com as urgências da neurodiversidade escolar. O silêncio administrativo frente a uma ferramenta que oferece suporte a alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições de neurodesenvolvimento evidencia que as políticas públicas de acolhimento e equidade, infelizmente, continuam em segundo plano na agenda da gestão.
 
   Essa indiferença prolongada revela o verdadeiro grau de prioridade que a prefeitura confere à educação inclusiva, reduzindo o direito constitucional à aprendizagem especializada a uma mera formalidade burocrática. A recente necessidade de reiteração legislativa da proposta pelo vereador Professor Mohamed é o reflexo de um governo que precisa ser insistentemente cobrado para cumprir o básico.
 
   Enquanto o município posterga a execução de projetos de inclusão e falha em acolher suas crianças de forma digna, o abismo da desigualdade escolar aumenta, evidenciando uma gestão que escolhe a omissão onde deveria liderar pelo exemplo e pela empatia.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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