A política local frequentemente nos depara com cenas que desafiam a lógica ideológica e testam a memória do eleitor. O caso mais recente na Câmara Municipal envolve um vereador que opera uma verdadeira acrobacia política: nos bastidores e nas votações do Legislativo, caminha de mãos dadas com a administração petista; nas ruas, e nas redes sociais veste-se de verde e amarelo, empunhando a bandeira de um patriotismo de conveniência.
Essa dubiedade levanta uma questão central: onde termina o pragmatismo político e onde começa a incoerência ética?
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Votar sistematicamente com uma gestão alinhada à esquerda e apoiar um governo local frequentemente associado a escândalos de corrupção — pautas historicamente combatidas pelas alas mais conservadoras — demonstra que o parlamentar escolheu a proximidade com o poder executivo em detrimento de uma coerência programática ou de vantagens guardadas a sete chaves.
Na lógica dos gabinetes, o apoio se converte em governabilidade e benesses como emprego para familiares. O problema central surge quando esse mesmo parlamentar decide cruzar as portas da Câmara e ir ao encontro do cidadão nas ruas. Ao adotar a indumentária do "patriotismo" e as cores nacionais, símbolos hoje fortemente vinculados à oposição dessas mesmas diretrizes de esquerda, o vereador tenta purificar sua imagem pública.
É o teatro da conveniência: busca-se o voto do eleitorado conservador e patriota através da estética, enquanto se sustenta o pragmatismo fisiológico por meio da prática legislativa. Essa incoerência não é apenas uma contradição de ideias; é um desrespeito à inteligência do eleitor.
A verdadeira identidade de um homem público não é definida pelo tecido da camisa que ele veste no fim de semana, mas sim pelo teor dos votos que ele registra nos anais da Câmara Municipal durante a semana.
O eleitorado moderno tem se mostrado cada vez mais atento a essas metamorfoses. O oxigênio da democracia é a transparência, e os tempos atuais não toleram mais o político camaleônico, que se alimenta da máquina pública à esquerda e finge marchar à direita.
Se o parlamentar optou por comungar com o projeto político atual, que assuma o bônus e o ônus de sua escolha — sem máscaras, sem fantasias e sem o falso verniz de um patriotismo que não sobrevive a uma tarde de votação. Já dizia o célebre orador norte americano, Robert G. Ingersoll ao referir-se a Abrahan Lincoln. "Se queres descobrir o verdadeiro caráter de um homem, dê-lhe poder"!
No entanto, o poder (dinheiro, status, autoridade) revela as verdadeiras intenções. E assim, as virtudes ou defeitos vêm à tona.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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