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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026
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A maquiagem da saúde em Ibiporã: "Dignidade" custa um suco de caixinha e um pacote de bolacha

A gestão municipal tenta transformar em grande conquista uma resposta pífia para um problema estrutural muito mais profundo.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
A maquiagem da saúde em Ibiporã:
📸Núcleo de Comunicação Social da PMI
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   A prefeitura de Ibiporã anunciou com entusiasmo uma nova medida da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e da Unidade de Transporte Sanitário (UTS): a distribuição gratuita de um "kit lanche" para pacientes e acompanhantes que precisam viajar até 50 km para realizar consultas, exames e cirurgias em outros municípios. Sob o pretexto de oferecer "conforto, dignidade e acolhimento", a gestão municipal tenta transformar em grande conquista uma resposta pífia para um problema estrutural muito mais profundo.
 
   O cardápio da suposta dignidade oferecido pela administração consiste em um pacote de biscoito salgado e um suco de frutas de 200 ml. Para quem sai de casa ainda de madrugada, enfrenta estradas e aguarda horas em filas de hospitais e clínicas da região, o menu parece quase uma ironia. É um paliativo calórico que esconde a verdadeira e urgente necessidade da população: atendimento médico resolutivo dentro do próprio município.
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  A secretária de Saúde argumenta que a medida auxilia aqueles que, pela distância curta, ficam desamparados pelo programa federal de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) — que exige deslocamentos superiores a 50 km para conceder suporte financeiro. Contudo, ao fixar uma previsão de investimento anual de meros R$ 25 mil na compra desses lanches, a prefeitura escancara o caráter superficial da iniciativa. Trata-se de uma política de baixo custo e altíssimo apelo populista.
   A verdadeira dignidade para o cidadão de Ibiporã não está na distribuição de um lanche que mal serve como colação. O acolhimento real seria o investimento massivo na infraestrutura de saúde local, reduzindo a dependência de municípios vizinhos e poupando os pacientes do desgaste físico e emocional de viagens diárias — deslocamentos que, inclusive, já são alvo de investigações sobre a regularidade dos atendimentos fora de domicílio.
 
   Enquanto a prefeitura celebra a entrega de caixinhas de suco de 200 ml, os moradores de Ibiporã continuam a amargar a falta de médicos especialistas e de exames complexos perto de suas casas. A saúde pública municipal carece de soluções sólidas, e não de migalhas nutricionais fantasiadas de assistência social.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno
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Ely Damasceno

Publicado por:

Ely Damasceno

Bacharel em Teologia Theological University of Massachussets USA 1984/1990. Jornalismo pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Repórter Gaz.Esportiva, Diários Associados, Estadão/SP, Jornais Dayle Post, em Boston-USA e Int.Press Hyogo-Japão

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