O futebol amador brasileiro vive um paradoxo em 2026. Enquanto a paixão movimenta os campos de terra e grama sintética, a inflação dos "bichos" (premiações por jogo) e salários pagos a jogadores experientes – muitos ex-profissionais – está elevando o custo de montagem das equipes. Essa valorização agressiva ameaça a sustentabilidade dos tradicionais campeonatos municipais, bancados, em grande parte, por pequenas prefeituras e comércios locais, tornando a competição desigual e elitizada.
Em Ibiporã, por exemplo, com a retomada do Campeonato Municipal de Futebol Suíço, a situação não é diferente, embora detalhes de bastidores em algumas equipes, tentam minimizar o assunto escondendo acordos que beneficiem dois ou três atletas e detrimento dos demais.
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O cenário atual, já descrito como uma "bolha" na várzea, mostra que times dependentes de verbas públicas ou patrocínios modestos têm dificuldades para competir. O alto custo com jogadores de fora da cidade ("importados") diminui o espaço para atletas locais, descaracterizando a essência comunitária do futebol de várzea. Uma doença crônica que já não têm mais cura, à exemplo do futebol profissional.
Para as ligas municipais, o desafio é equilibrar a busca por qualidade técnica com a limitação orçamentária. "Se não houver regulação ou patrocínios privados robustos, a tendência é que campeonatos fiquem restritos a poucos times com alto investimento, esvaziando a paixão de domingo", alerta o secretário municipal de esportes, Claudio Marcos Gozzo que, junto com sua equipe, coordenam a organização do campeonato em Ibiporã.
O secretário descreve os impactos da valorização de atletas em campeonatos municipais como um todo: "A desigualdade técnica fica exposta. Clubes com maior aporte financeiro dominam, o que com o tempo pode acabar afastando equipes tradicionais sem recursos. E isto acaba por limitar a participação de equipes sem poder de fogo. Sem falar no aumento de custos! Temos ciência de que alguns jogadores amadores estão exigindo cachês altos, assemelhando-se a um modelo profissional de contratações, o que para o futebol amador é um risco perigoso. As secretarias municipais tem orçamento limitado, assim como alguns times que podem abandonar o futebol se o custo se tornar impraticável", observou.
A saída para manter o espetáculo vivo passa pela busca de novos modelos de gestão, aponta Gozzo destacando que a valorização da base local e atração de patrocínio privado devem ir além das prefeituras, garantindo que o futebol amador continue sendo, acima de tudo, popular.
Contudo, todavia, entretanto...o futebol amador está de volta para muita resenha, comemorações, frustrações e acima de tudo a confraternização de amigos após cada partida encerrada.
FONTE/CRÉDITOS: Folha Portal/Ely Damasceno

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