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Quarta-feira, 29 de Maio de 2024
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Volume colhido de trigo supera capacidade de moagem mensal no Paraná

Área plantada com o grão no Paraná aumentou para quase 1,4 milhão de hectares, maior número desde 1990.

Ely Damasceno
Por Ely Damasceno
Volume colhido de trigo supera capacidade de moagem mensal no Paraná
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    Mesmo em meio a tantas delícias expostas na vitrine da padaria, o pão sempre tem seu espaço garantido. A única coisa que ultimamente não anda agradando os paranaenses é o preço - e a culpa é da farinha. “Nós estávamos pagando em uma saca de farinha de trigo R$ 66, por exemplo, e acabou chegando a R$ 96”, diz Leocir Pinheiro, proprietário de uma padaria em Cascavel, na região oeste.

   Para as delícias não perderem o sabor, a padaria dividiu o reajuste com o consumidor. “Absorvemos um pouco desse aumento para não passar tudo para o consumidor, para não ficar muito caro no final”, explica Pinheiro. O preço do trigo começou a disparar por conta da guerra entre Ucrânia e Rússia. A Rússia é o maior exportador de trigo do mundo e a Ucrânia, o quarto.

   Os dos países reduziram a oferta por conta do conflito. Com menos produto no mercado, o preço subiu. A saca de trigo com 60 kg passou dos R$ 100. O preço animou muitos produtores, mas já recuou. Nesta safra, a área plantada com o grão aumentou no Paraná. Foram semeados quase 1,4 milhão de hectares, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral).

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   Desde 1990, os produtores do estado não plantavam tanto trigo.  Isso também se deve a um atraso na colheita da soja por conta da chuva. Foi o que aconteceu com o produtor rural João Henrique Silva Caetano. A ideia era plantar milho, principal cultura de inverno no estado, mas a colheita tardia da soja obrigou ele e os irmãos a mudarem os planos. “De maneira geral, eu não quero plantar muito mais do que um quarto, um quinto da área com trigo. Mas esse ano, plantamos uma boa quantidade”, Caetano diz.

   Dos 300 hectares da fazenda na região de Cascavel destinados à agricultura, em 180 há trigo plantado. Uma área bem maior que a destinada ao grão no ano passado. As lavouras estão se desenvolvendo bem e a ausência de geadas favoreceu, mas os custos com tratamento contra pragas é o que mais preocupa o produtor hoje. “Os problemas básicos deste ano são as doenças. Mesmo os cultivares que eram considerados resistentes estão sofrendo bastante com doenças. E aí temos que entrar com fungicidas, que são caros”, afirma.

   O trigo é considerado uma cultura de risco. Esse alto investimento em tratamento contra pragas e também a vulnerabilidade do trigo às geadas impedem uma expansão ainda maior da área plantada com o grão. Muitos agricultores preferem deixar as terras ociosas do que correr o risco de apostar e ter perdas consideráveis. É essa ideia que uma cooperativa da região quer mudar. Os cooperados vêm sendo incentivados a investir no trigo fornecendo assistência técnica especializada e garantia de compra da produção.

   Variedades de sementes com maior potencial produtivo também são apresentadas aos produtores. “Nós estamos retomando o plantio do trigo com novas variedades de trigo, novos tratos culturais e há também uma alternativa muito boa para o produtor rural para ele sair um pouco dessa questão de segunda safra somente milho. Ele pode alternar com milho, trigo e outras culturas, mas o trigo é a principal cultura para ser alternativa de inverno”, diz o presidente da cooperativa, Dilvo Groli.

   Até agora foram colhidos 13% da área plantada. Em algumas áreas no oeste do estado, a colheita está bem avançada. A produtividade e a qualidade dos grãos estão melhores que em 2022. A Secretaria de Agricultura do estado (SEAB) estima que sejam colhidas 4,5 milhões de toneladas de trigo – 33% a mais do que no ano passado.

   Segundo o Deral, o volume colhido até agora, cerca de 488 mil toneladas, supera inclusive a capacidade paranaense de moagem mensal, estimada em cerca de 315 mil toneladas. Com isso, houve uma pressão nos preços, que recuaram abaixo de R$ 60 a saca com 60 kg durante a semana. O aumento da produção e da qualidade dos grãos podem favorecer quem está na padaria comprando o pãozinho e as delícias que levam farinha na receita. Com mais produto nacional no mercado, o país importa menos e os custos reduzem um pouco.

FONTE/CRÉDITOS: g1/PR
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