Fazer a restauração de carros antigos é desafiador além de um serviço duro que só encara mesmo quem é realmente apaixonado pelo que faz. Em Ibiporã, quem nunca ouviu falar na "Oficina do Pimenta", alí na rua Osvaldo Cruz, quase na esquina da avenida Santos Dumont. Não é raro a gente passar em frente e se deparar com verdadeiras joias sobre quatro rodas, totalmente desmontados e por vezes irreconhecíveis no estado em que chegam. E alguns meses depois, a joia restaurada como se saísse da produção, é visto desfilando pela cidade.
Este é o trabalho do "Pimenta", em sua oficina multimarcas que ée um dos poucos restauradores de veículos antigos na região. É mais que um serviço de mecânica e funilaria. É uma obra de arte, como a gente só vê nas séries de TV americana sobre restauração de veículos. Os amantes de carros antigos possuem o sonho de fazer uma boa restauração, e nem sempre encontram profissionais gabaritados para este tipo de serviço e as vezes esse sonho não sai do papel por conta da falta de encontrar um profissional com conhecimento sobre o assunto, sobre o custo que envolve esse processo e o tempo em que é feito. Mas na "Oficina do Pimenta", o caminho das pedras já é conhecido e reconhecido pelas dezenas de restauração que já passaram por sua mão ao longo dos anos.
Sempre concentrado no trabalho e de pouca conversa, Pimenta toca a oficina dividindo o trabalho de rotina, com as relíquias a qual gosta de empreender seu tempo. Na tarde de ontem nos deparamos com mais um destes veículos restaurados por ele desfilando pelas ruas de Ibiporã no chamado "test-drive" pós conclusão. Não tem como não chamar a atenção.

O estiloso modelo Ford A 1929 com seus imponentes pneus de faixa branca e capota de vinil, chamava a atenção por onde passava. O veículo desperta muita curiosidade, especialmente nos mais jovens que pouco ou nada conhecem sobre carros antigos. Este carrinho simpático começou a ser produzido entre 1928 e 1931, sendo o segundo carro de sucesso da montadora norte-americana, sucedendo o lendário modelo T, que tinha sido produzido por 18 anos e marcou a popularização do automóvel nos EUA e no mundo. É importante ressaltar que a Ford produziu outro modelo A, entre 1903 e 1904, mas o modelo A, tradicional produzido é este 1929 que acaba de sair da restauração. Uma das inovações do Modelo A em relação ao modelo T são as cores originais. Ele foi produzido em quatro cores diferentes, e não apenas em preto - como o modelo T. Este que desfilava pelas ruas, é bege com detalhes cromados e capota em preto.

A curiosidade deste carrinho é que começou a ser produzido no final de 1927, sendo colocado à venda apenas em dezembro do mesmo ano. O sucesso foi tão grande que em 4 de fevereiro de 1929 já tinham sido vendidos um milhão de modelos A, e, seis meses depois, dois milhões. Entre 1928 e 1931 foram produzidos 4.890.340 Ford Modelo A - um número impressionante até mesmo para os dias de hoje. Os preços do Ford Modelo A variavam de US$ 385 dólares para o modelo de entrada (roadster) à US$ 1.400 dólares, para o topo de linha Town Car. Hoje para os colecionadores, este carro não tem preço. É uma joia.
O motor do Fordinho 29, como é carinhosamente chamado é de 4 cilindros, 3.3L refrigerado a água, que produz 40 HP. A velocidade máxima pode chegar a 105 Km/h e o consumo variava entre 8Km/l em ciclo urbano a 12 km/l em rodovias. O sistema de transmissão é manual com três marchas não sincronizadas, e o sistema de freios é de tambor nas quatro rodas. As edições de 1930 e 1931 vieram com capota, radiador e carcaças de farol confeccionadas em aço inoxidável. O Ford Modelo A mede 4,191 metros de comprimento, 1,702 m de largura, 2,629 metros de distância entre-eixos e pesada 1.027 Kg.

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