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MALANDRO É MALANDRO E MANÉ É MANÉ

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O golpe do estelionato legalizado é tão velho, que infelizmente não causa mais escândalo, e nem deixa quem participa do golpe “ruborizado”, mesmo sabendo que está comprando o título de “Otário do Ano”.  Em todo o país, são dezenas de “empresas” que se dizem “institutos de pesquisas” geralmente com um nome bonito, e meia dúzia de “golpistas de boa lábia”, comissionados. Uma pena que o Código de Defesa do Consumidor não preveja este tipo de “pesquisa” como forma de “golpe” para atrair o cliente.

Estes tais, ano após ano e, com a conivência da Justiça, sobrevivem do golpe sem serem incomodados em muitos municípios do Brasil. Estelionato legalizado virou meio de vida para muitos que exploram o “ego” dos estabelecidos, que por sua vez, usam do artifício imoral, como vitrine para atrair clientes e simpatizantes.

O golpe consiste em convencer o comerciante, que o seu estabelecimento é o mais lembrado pelos consumidores, geralmente apontados numa planilha sem nenhuma metodologia científica, legal ou confiável. 
É comum entrarmos em determinados estabelecimentos e encontrarmos a parede decorada com vários destes com o título de “otário do ano”, ou otário da especialidade. Os golpistas vendem o pacote, para a empresa, e também para o empresário. Assim enche o “ego” dos dois concedendo desconto.

Enquanto isso se estimulam outros concorrentes no ano seguinte, a não querer ficar atrás, engrossando a fila de otários. O golpe também consiste em “dar publicidade” ao evento, o que geralmente não ocorre  com empresas de comunicação séria, que já conhecem o golpe e não participam dela.

Um golpista geralmente procura outros de sua estirpe para dar publicidade ao intento. Geralmente, picaretas da mídia, aceitam uma permuta publicitária com os golpistas para serem nomeados também, os otários mais lembrados do ano. E assim os que compram o título (que não é barato), conseguem descontos quando homenageados "vários otários de uma mesmo comércio", ou de uma mesma família de empresários, num jantar “black tie” com requinte de burguesia e direito a sessão de fotos.

 Para dar ar de legalidade, alguns golpistas costumam convidar autoridades para o “boca livre”, dando a entender que o negócio é sério enquanto o golpe em todos os segmentos segue de comum acordo. Este é o pulo do gato. Não existe crime tipificado quando há conivência entre o golpista e quem está pagando pelo golpe. O que não deixa de ser imoral.

Quando um comerciante se recusa a comprar o tal título, a equipe de vendas já muda o endereço do mais lembrado, para o concorrente mais próximo. E assim segue o golpe sem nenhuma fiscalização e aos olhos da indiferença até da Justiça. Até porque quem participa, não pode reclamar.

Assim como outros, segue o estelionato legalizado, tirando dinheiro dos trouxas que se orgulham por ganhar no golpe o título de “otário do ano”. Se o negócio fosse sério, as próprias Associações Comerciais instituídas nos municípios, cuidaria de fazer este tipo de pesquisa, até mesmo como uma forma de incentivar o empresário a oferecer melhores serviços a comunidade.

O verdadeiro empresário mais lembrado, não precisa comprar título, nem viver de pesquisa fajuta para encher o ego e a parede de um “documento” que todo mundo sabe que foi pago, e não vale nada! Curiosamente nestes casos encontramos os quatro elementos que tipificam o crime de estelionato.

1) obtenção de vantagem ilícita; (seja para quem vende e para quem compra)

2) causar prejuízo a outra pessoa; (comprar título que o coloca acima de quem não teve a oportunidade de comprar) ;

3) uso de meio de ardil, ou artimanha, (pesquisa fajuta: se o sapateiro não compra, vende-se para o concorrente)

4) enganar alguém ou a leva-lo a erro (vou comprar naquela loja porque é lembrada com prêmio todo ano)... e por aí vai!

Diploma de Reconhecimento Público deve submeter-se a uma legislação de autoria do Executivo, ser aprovado e reconhecido pelo Legislativo, e endossado pela Associação Comercial. Aí sim, possuirá algum requisito para ser levado a sério. Golpistas não trazem nenhum benefício para os municípios.

Ao contrário, levam dinheiro do comércio e retornam no ano seguinte para fazer nova coleta! Já dizia Bezerra da Silva: “Malandro é malandro e mané é mané...podes crer que é...”

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